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Arquivo da categoria: Aquisição de Linguagem

Compreendendo os pressupostos do Gerativismo – Parte I

O gerativismo é uma corrente teórica que surgiu em 1959 como um movimento em oposição aos pressupostos do behaviorismo radical e, por assim dizer, em oposição a qualquer pressuposto de aquisição de linguagem não-inatista. A teoria foi fundada por Noam Chomsky com a publicação da resenha “A Review of B. F. Skinner’s Verbal Behavior” (Uma revisão de ‘O comportamento Verbal’ de B. F. Skinner), na qual o autor fazia fortes críticas aos pressupostos estabelecidos por Skinner em seu arcabouço teórico.

As principais colocações de Chomsky nesse trabalho eram: existe uma predisposição inata para a linguagem; existe algum aparato mental ou cerebral* voltado especificamente para a linguagem; os indivíduos não nascem como uma página em branco; o homem cria e re-cria a linguagem a todo instante (criatividade), isto é, existe uma geratividade** verbal intrínseca ao comportamento linguístico.

Tais pressupostos culminaram na postulação (hipotética) da Gramática Universal (GU), um módulo mental/ cerebral* voltado exclusivamente para sintaxe; grosso modo diz-se sintaxe, mas alguns autores já defendem outros aspectos, como fonologia, morfologia e até pragmática (essa discordância se deve ao fato de que ser gerativista não significa ser chomskyano). Tal GU (salvo em casos de anormalidade) está garantida a todos os falantes e compõe, assim, o sistema de competência linguística do indivíduo.

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Publicado por em 22 de dezembro de 2011 em Aquisição de Linguagem, Gerativismo

 

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Behaviorismo Radical e Criatividade?

Skinner - Pai do Behaviorismo Radical

Uma grande impostura intelectual utilizada para falsear o Behaviorismo Radical (doravante, Behaviorismo) no âmbito dos estudos de aquisição de linguagem é a questão da criatividade. Dizem que o Behaviorismo é o paradigma do S-R (estímulo e resposta) e que o falante é um sujeito passivo diante ao mundo. Essas afirmações vêm creditadas, principalmente, ao livro “O Comportamento Verbal”, de Skinner (1957), ou seja, advogam que Skinner postulava o homem na perspectiva apresentada anteriormente.

Acontece que na primeira página do livro “O comportamento Verbal” Skinner faz a seguinte afirmação:

Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez são modificados pelas [sic] conseqüências de sua ação. Alguns processos que o organismo humano compartilha com outras espécies alteram o comportamento para que ele obtenha um intercâmbio mais útil e mais seguro em determinado meio ambiente. Uma vez estabelecido um comportamento apropriado, suas [sic] conseqüências agem através de processo semelhantes para permanecerem ativas. Se, por acaso, o meio se modifica, formas antigas de comportamento desaparecem, enquanto novas [sic] conseqüências produzem novas formas. (SKINNER, 1978: 15)*

Pensemos, se logo no início do livro o autor defende que o homem também modifica o meio e que é por ele modificado, dificilmente, ele se contradiria tanto ao ponto de falsear seu próprio pressuposto inícial. Assim, desmistificamos o fato de o Behaviorismo Radical não explicar a questão da criatividade comportamental do indivíduo. Skinner concebia o homem pelo tripé da ontogênia-filogenia-cultura, isto é, o homem é um “resultado” de sua história individual, da história de sua espécie (a genética) e da cultura na qual está inserido; e, o mais importante, é sempre frizar que tais contigências determinantes da condição de ser do homem estão em constante transformação.

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Publicado por em 21 de dezembro de 2011 em Aquisição de Linguagem, Behaviorismo

 

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O que é Psicolinguística?

Vivemos a época das parcerias. Parcerias institucionais, acadêmicas, empresariais, enfim, vivemos uma época na qual as pessoas percebem que sozinhas não conseguem fazer tudo. A academia, às vezes de forma lenta, vive esse período também. Os cursos, cada vez mais, tornamse multidisciplinares, como forma de tentar responder às demandas que uma área do conhecimento isolada não consegue.

Essa relação é bem mais estreita quando falamos de áreas que tratam de dinamismos sociais e/ ou subjetivos, como a psicologia e a linguística, por exemplo. Nesse cenário, então, no qual a ciência domina a expressão da verdade, as áreas do conhecimento fazem interfaces, visando à uma melhor solução dos anseios demandados pela natureza (e até pela não natureza). Foi deste modo que surgiu a psicolinguística.

Andre Luiz Mendes Pereira

Interface entre a psicologia e a linguística

Pensemos que se a psicologia estuda (também) a mente e a linguística (também) a linguagem a psicolinguística, grosso modo, só pode ser o estudo das relações entre a linguagem e a mente. De forma ampla, podemos afirmar que a psicolinguística estuda os fatores psicológicos e neurobiológicos (mente/ cérebro) que nos tornam capazes de adquirir, utilizar, compreender e produzir linguagem1 e também uma língua.

A área é tão multidisciplinar que conta com a contribuição da linguística, da psicologia, da biologia, das neurociências, da teoria da informação, da antropologia e assim por diante, em busca de respostas sobre, por exemplo, como o cérebro processa a linguagem (pergunta a qual a linguística computacional e a biolinguística têm dado respostas significativas).

Enfim, a psicolinguística é um campo de pesquisa incrível e surpreendentemente admirável; e é exatamente por esse motivo que focalizaremos o estudo do fenômeno da aquisição de linguagem por essa abordagem, dada sua multidisciplinaridade e, sobretudo, sua inter e transdisciplinaridade (o que, atualmente, é o mais importante).

  1. Linguagem adquirida, utilizada, compreendida e produzida deve ser compreendida de forma ampla, isto é, como um afunilamento semiótico de percepções e impressões (conscientes ou não) individuais e sociais do mundo por um dado sujeito.

Andre Luiz Mendes Pereira

Para citar esse material: PEREIRA, A. L. M. O que é psicolinguística. Aquisição de Linguagem. Disponível em: <https://aquisicaodelinguagem.wordpress.com/2011/12/18/psicolinguistica&gt;. Acesso em: data de acesso.

REFERÊNCIAS:

AITCHISON, Jean. (1998). The Articulate Mammal: An Introduction to Psycholinguistics. Routledge.
SCOVEL, Thomas. (1998). Psycholinguistics. Oxford University Press.

 
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Publicado por em 18 de dezembro de 2011 em Aquisição de Linguagem, Psicolinguística

 

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